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Regresso a casa

por Mafalda, em 24.06.14

 

 

Perfeito! Domingo. O companheiro foi até casa dos pais e como eu partia nesse dia de comboio para Faro disse-me que aproveitava e passava lá a noite.

Deu tempo para tudo. Coloquei as fotografias, duas delas quase em tamanho real, da sessão fotográfica sensual, na parede do quarto em frente à cama. Mexi no candeeiro da mesa-de-cabeceira para que a iluminação ficasse direccionada para aquela - para mim - obra de arte.
Lá apanhei um táxi para a estação e segui viagem. Nessa noite, o mesmo de sempre quando eu ou ele nos ausentamos. Troca de mensagens. Beijinhos de boa noite, sempre a ver quem fica com a última palavra antes de adormecermos.

 

 

Segunda-feira. Tudo normal durante o dia. O trabalho correu bem. O almoço foi na companhia das simpáticas pessoas com quem ia preparar um evento. E de novo, durante o dia, os telefonemas, a troca de mensagens com vídeo e os “amo-te”, “adoro-te”, etc.
Chegada a noite o ritual manteve-se. Comecei a entrar em pânico. Já roía a unhas, andava às voltas e para me segurar nas respostas, já carregadas de raiva, mas ainda correctamente escritas, tive de descer ao bar do hotel. Por norma não bebo, muito menos sozinha. Whisky. Nem nunca tinha experimentado, mas nem sei como bebi para ai uns três ou quatro, puro sem gelo.

Subi ao quarto e dormir nada, só pensava. “Como é possível, com quem e onde está o raio do homem a passar a noite!?. Mais do que pela raiva fui dominada pelo peso da cabeça depois de ter emborcado tal veneno. Pela manhã o duche teve de ser frio e as desculpas com os clientes foi de que deveria de ter comido algo na véspera que por algum motivo fez com que não tivesse descansado bem.

Chegou a hora do regresso e o homem telefonou-me a dizer que me ia buscar à estação. Mordi os lábios e respondi que estava bem. Para ver se o tempo passava depressa, no comboio fiz logo o relatório do trabalho que tinha ido fazer e enviei-o num email para o meu chefe.
Cheguei, e lá estava ele com um sorriso à minha espera. Cínico. Pensei. Como era possível. Quando chegássemos a casa haveria de ver com quantas paus lhe construía uma jangada para o meter dali para fora.
- Ainda tenho de passar por um cliente, não te importas?
É preciso ter lata! Ok, está bem, disse, deixando-me fingir que estava a dormitar.
O carro parou e diz-me ele: Acorda FELINA!
Quando dei por mim estava estacionada numa garagem com acesso a uma suite iluminada por velas e um cheiro intenso a rosas. As pétalas estavam pela cama e na banheira de jacuzzi. Perdi-me nos pormenores quando o HOMEM me disse, “pensavas que me provocavas daquela maneira e não levavas troco?”.
Hoje cheguei ao trabalho com o cabelo a escorrer água atado com um puxo já atrasada a entrar na reunião de balanço sobre o que tinha ficado definido no trabalho que tinha ido fazer. Com um sorriso, que parece não ter convencido ninguém, pedi desculpa pelo atraso porque já estava perto do escritório quando o salto do sapato se tinha partido e tive de voltar a casa para calçar outro par.

Terminada a reunião, o meu chefe sempre discreto, mas não inocente, disse-me apenas. “Bom trabalho. Fique com o resto do dia livre e vá ver se seca esse cabelo para não apanhar uma constipação”. Agora vou mesmo dormir. Não tarda o HOMEM está de volta e vamos lá ver qual foi a desculpa que deu no emprego para não ter levado gravata que a da véspera foi-nos muito útil…

Beijocas

 

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