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Estudos, estatísticas e sondagens

por Mafalda, em 10.06.14


Um dia estava com uma amiga numa explanada quando inesperadamente se saiu com esta: “Adoro estudos, estatísticas e sondagens. Ao ler apenas as conclusões fico com uma sensação de Mulher intelectualmente mais culta. Capaz de poder falar de muitos assuntos, sem que na verdade nunca nada tenha estudado sobre eles”.
Já não a deixei ir embora sem me explicar porquê!

 

É uma óptima arma para aqueles encontros semanais com o pessoal lá do escritório e que inclui chefias, as que acreditam que a convivência fora do local de trabalho nos desinibe e isso faz com que nos tornemos mais eficientes e seguros de nós próprios.
Saio de casa sempre vestida de forma mais ousada. Se é para nos desinibirmos, então deixo de lado aqueles fatos politicamente correctos que levamos para o escritório. Sempre o mesmo bar, os homens em mangas de camisa arregaçadas, as colegas a olhar-me de alto a baixo para ver o que trago de novo vestido ou calçado. Claro que também olho, numa espécie de despique. Nunca dei por mim a vestir-me para os colegas, mas sim para as desafiar a elas!

 

Bom, mas voltando aos estudos. Faço um brilharete. Quando já se torna insuportável o fumo, as conversas cruzadas sobre futebol, os descontos nas lojas, lá intervenho eu abordando o último estudo que saiu sobre o índice de analfabetismo no Pinhal Interior, o número de maças que em média come por ano cada português ou aquele sobre quantas pulgas são necessárias para enervar mesmo um gato.
Chega rápido ao fim o encontro e já só penso naquele que reúne, não o pessoal do escritório, mas o do edifício. Aqueles belos homens morenos por quem sentimos aquela química e as raparigas que suspiram, como eu, à passagem deles pelos corredores e elevadores.

 

Foi num golpe de sorte que me juntei a eles, tudo a propósito do meu interesse por estudos. Um dia comentei, em pleno elevador cheio de adrenalina (traduzindo – pessoal “fresco”) com a rapariga que distribui o correio pelos diversos gabinetes e que vai casar em breve, que havia um estudo que provava que existem casais que passavam um ano sem fazer sexo e mesmo assim dizem-se felizes!
Deu-se o alerta. Um dos executivos do 5º andar perguntou-me se não estava interessada em juntar-me ao grupo que aos sábados se encontra ao final da tarde para falar de tudo menos de trabalho, futebol e saldos.

 

Segurei-me decentemente, tendo em conta que sou nada mais, nada menos do que a assessora do administrador do 12º andar. “Porque não. E onde se encontram”, perguntei. “Agora no bar da praia porque é Verão, pelas 18h00”.
Remexi o armário na tentativa de encontrar alguma coisa condizente com uma ida a um bar da praia. Telefonei à colega que distribui a correspondência e perguntei se costumava ir e que roupa levava. Disse que ia sempre e que agora me esperavam todos mais ansiosos do que nunca, pois queriam detalhes sobre o tal estudo.

 

Não falou na roupa e não me restou outra alternativa senão levar uma saída de praia engendrada com uma t-shirt. Cheguei, senti-me em casa! Não havia camisas arregaçadas, nem belos vestidos com sapatos únicos.
“Que tomas? Tragam uma imperial…. Vá não percamos tempo, conta-nos tudo”, falaram quase em coro para ai uma dúzia dos “betinhos” lá do prédio, agora com ar selvagem e de bem com a vida.

 

Caramba! Só sei que há casais bonitos, saudáveis que garantem serem felizes com as carreiras de sucesso, filhos lindos e bem-educados, companheiros maravilhosos, mas com os quais não fazem sexo há mais de seis meses ou até um ano, disse timidamente.
A gargalhada foi geral. A colega que distribui a correspondência garantiu logo ao namorado que não casava, ou então teriam de fazer um pacto. “Teremos de ser também amantes, senão não nos safamos”.

 

Deu ela a resposta certa. Todos sabemos que os primeiros tempos são tórridos de paixão e de sexo sem tabus. Mas, para que nos possamos, com frequência ao longo dos anos de vida em comum, esquecer do Mundo para lá do aconchego dos lençóis, há que recorrer à imaginação, ao conceito permanente de sensualidade, aos pequenos gestos e performances que fazem de nós mulheres, companheiras e amantes do homem com quem partilhamos a vida, também feita de prazeres.

 

Continuei a ir aos dois encontros e para cada um lá tinha as conclusões dos estudos que saíam durante a semana. Uns para acabar rapidamente com aquilo, outros para deixar entrar pela noite dentro a alegria e felicidade de estarmos simplesmente juntos.

Beijocas

 

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