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Espelho meu

por Mafalda, em 14.10.14

Pela manhã, à noite, com mais ou menos tempo ao meu espelho não dou folgas nem feriados. Deve ser por isso que com ele não posso fazer ou dizer o que quero. É intolerante e exigente.

Os filhos deixam a “cota” rabujar quando ela está com os “nervos”, o companheiro dá-me espaço para que descarregue as frustrações nos murros à secretária, no falar alto para o computador e a cantar no banho, mas o meu espelho não me dá tréguas!

Levanto-me pela manhã, olho para ele e naqueles dias em que lhe pergunto o que quer, cala-se. Ao final da tarde quando chego a casa e visto aquele largo e horrível fato de treino e calço meias de feltro, faz cara feia mas nada diz. À noite nada volta a dizer perante aquela camisa de dormir herdada da minha avó.

No dia seguinte quando me arrasto pela casa para chegar à cozinha e beber um copo de água e depois me obrigo ao duche e vou vestir a primeira roupa que aparece, enquanto filha e companheiro saem de casa fininho para nem se fazerem ouvir, e apanho o cabelo, então o espelho vira uma víbora.

“Nem penses. Toca a voltar ao duche e lavar esse cabelo, secá-lo a preceito, maquilhar-se e ir ao armário escolher uma roupa e uns sapatos à altura de quem não pode correr o risco de criar pretextos para que o chefe pense que está na altura de fazer uma remodelação nos recursos humanos”.

Maldito!

O certo é que como não encontro argumentos para lidar com tal praga, ao final do dia já visto aquele vestido preto a que o meu companheiro não resiste em telefonar à mãe a perguntar se a menina lá pode passar a noite!

 

Beijocas

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