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Da ignorância ao Kama Sutra

por Mafalda, em 18.06.14

 

“Ai homem, tens a certeza de que é esse o sítio? O quê, é mesmo isso que vais ter de introduzir num buraco que nem sabemos qual é!? Oh meu Deus pára. Vamos pensar. Tens a mesmo a certeza que é essa salsicha, transformada em chouriço, que temos de utilizar para fazer bebés? Mas onde raio metemos isso? Não estou a ver nenhum buraco em mim onde isso possa caber!”

 

A minha velha amiga Almerinda, da aldeia que me viu nascer e crescer, é um ícone da sabedoria popular sobre o sexo. Já desde pequena que ouvia as histórias por ela contadas no largo da igreja sempre que uma noiva entrava e saia da igreja. “Ah menina, espero que já vá ensinada ou treinada”, dizia para espanto e horror das mulheres, “de bem”, presentes.

 

“Vão para o raio que vos parta, eu sei do que falo. No dia do meu casamento quando eu e o meu homem chegámos ao quarto não sabíamos o que fazer. Ele era a primeira vez que calçava uns sapatos novos. Tive de lhe estar a aquecer água com sal para ele aliviar as dores. Enquanto isso, lá vesti uma coisa mais parecida com um saco de batatas cheia de rendas e botões até ao pescoço obrigando-o a virar-se de costas. O coitado também nunca tinha visto uma mulher nua, ao vivo e a cores, e demorou semanas até ver a “belezura” que eu era”, rematava.

 

Continuava, sempre bem-disposta, a contar as peripécias da noite de núpcias. “Depois foi o cabo dos trabalhos. Andámos dias para ver como é que a coisa funcionava. É certo que quando descobrimos também não queríamos outra coisa, por acaso só nasceu uma filha, senão hoje tinha um regimento lá em casa”.

 

Ontem estive com ela, a filha e a neta que sábado sobe ao altar da igreja da terra. A avó foi logo buscar a prenda que já tinha comprado para lhe oferecer. A filha e neta ficaram embaraçadas, mas ela não se fez rogada. “Estás a ver Mafaldita, bem sei que ela já vai com treinos suficientes para fazer boa figura e aproveitar as núpcias, mas um empurrãozito sempre há-de ajudar”. Mãe… tentou travar-lhe a língua a filha.

 

“Cala-te. Quando casas-te, como ficaste a viver lá em casa, primeiro que se ouvisse gemidos vindos do teu quarto demoras-te uns bons dias. Mais a mais ofereci-te algumas revistas Maria, com imagens e tudo. À minha neta ofereço a mais moderna versão do Kama Sutra.

Beijocas

 

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