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Cérebro travestido

por Mafalda, em 04.08.14
Levantei-me. Garganta congestionada. Voz grossa. Andar pesado! Olhei para o espelho… Acudam, socorro. Cai. Levantei-me. Apalpei o corpo. Voltei a fixar o olhar no espelho. Pelos por todo o corpo, seios nada, pénis, sim. Cara, até nem era assim tão horrenda e o corpo musculado! Não, não, não podia ser. Eu homem! Voltei ao quarto e lá estava o meu companheiro, meio tapado com o lençol, e eu, babada, a deseja-lo.

Mas como poderia? Corri para o vestiário, não havia uma peça de roupa feminina. Então e os meus vestidos, os fatos, os sapatos, ai os meus sapatos, as carteiras, os acessórios, a maquilhagem.

Resignei-me. Desfiz a barba. Não faltaram os cortes. Tomei banho. Pequeno almoço… como qualquer coisa perto do escritório. Mas qual escritório? Quem era eu afinal! Como me chamava, o que fazia, quem era verdadeiramente aquele homem na minha cama?
Quem me estará a testar, pensei? Ok. Vou ficar por casa a tentar perceber o que realmente está a acontecer. Escondi-me no quarto de hóspedes. Os meus pensamentos rapidamente foram para as mulheres. De que tipo de mulher realmente eu gostaria. Loura, morena, negra, asiática, Talvez mais do género inteligente, segura de si, sensual, bem vestida, bem calçada, cabelo bem tratado, voz segura, olhar cúmplice. Ficaria por uma que fosse realmente AQUELA. Inteligente, ousada, elegante, que sabe ouvir e falar, apaixonada, companheira. Atenta, mas discreta. Amante, sedutora, romântica. Que chora e ri, se emociona e surpreende.

Não seria pedir demais para o que pareço ser? Como posso desejar uma mulher assim, se já me estava a imaginar a trabalhar dez horas por dia, chegar a casa cansado, comer qualquer coisa requentado, tomar um duche e ir para a cama. Ao fim-de-semana não tirar o pijama e passar o dia deitado no sofá a ver filmes e a dormir.

De repente o despertador toca. Olhei para o lado e lá estava o meu homem. Pedi-lhe se poderia sair mais cedo do trabalho nesse dia. Concordou. Desta vez foi para o convidar para jantar num lugar discreto e conversar. Falámos de muitas coisas, inclusive do quanto eu o amava, mas que desejava continuar a ter ao meu lado um companheiro com aspecto saudável, bem cuidado, capaz de surpreender, amante, sedutor, romântico, mas sem perder o direito de passar um fim-de-semana no sofá, porque eu também não queria perder aqueles momentos em que só estou para mim.

Beijocas
Mafalda

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